A imagem de Ronaldinho Gaúcho

Artur Capuani

Em meio ao conturbado processo de transferência de Ronaldinho Gaúcho para a equipe do Flamengo, diversos veículos de comunicação relacionaram esse fator a um hipotético dano à imagem do jogador junto ao torcedor brasileiro. A posição de Assis, irmão e empresário, durante a negociação para o retorno de Ronaldinho ao Brasil, gerou incontáveis críticas de profissionais da imprensa, que indicavam o “leiloamento” do craque entre três clubes nacionais – além da equipe carioca, Palmeiras e Grêmio concorriam diretamente.

Entretanto, segundo especialistas da área de marketing esportivo, apesar da polêmica criada em torno do ex-camisa 10 da seleção brasileira, a reputação do atleta não deverá sofrer abalos consistentes que venham a prejudicar um futuro projeto de exploração de imagem criado pelo Flamengo. É o que afirma Amir Somoggi, diretor da divisão de gestão do esporte da Crowe Horwath RCS, uma das maiores empresa de auditoria e consultoria do país.

“Eu não concordo com a imprensa que a imagem dele [Ronaldinho] tenha sido desgastada. Ele estava negociando como em qualquer negócio. Fica desgastada a imagem de alguém que não tem proposta. Não estou de acordo com essa teoria de que seu irmão estava fazendo leilão. Quem estava fazendo leilão eram os clubes”, apontou.

Na mesma linha, Rafael Plastina, diretor de marketing e desenvolvimento de uma empresa especializada em consultoria esportiva, a Informidia, revelou inclusive aspectos positivos da negociação, devido à exposição de mídia gerada a partir deste processo. O ex-diretor de marketing do Vitória rechaçou ainda a possibilidade de haver prejuízo à figura do talentoso jogador.

“Em relação aos torcedores do Grêmio, que já tinham uma ressalva pela saída dele para a Europa, pode ser que fiquem até chateados, ou alguns mais radicais façam protestos como a gente viu na televisão. Mas eu não acredito que seja uma unanimidade. Eu acho que é muito pouco para arranhar a imagem do atleta”, argumentou Plastina. “Acredito que nessa novela, que até concordo que foi realmente muito longa e desgastante, muita coisa poderia ser evitada, mas não chegou a ponto de arranhar a imagem do Ronaldinho – ao contrário, cria muita expectativa para sua estreia”, opinou.

Em entrevista coletiva recente, o presidente do clube gaúcho, Paulo Odone, transpareceu sua insatisfação com a maneira com que o empresário do atleta conduzia as negociações entre sua instituição e os demais rivais interessados nessa contratação. Durante o período, por sinal, representantes das três direções chegaram a dar como certo o acerto com Ronaldinho.

Após desistir oficialmente da aquisição, o treinador palmeirense, Luiz Felipe Scolari, também criticou a postura do irmão do jogador com o clube paulista. E disparou: “Quem não cumpriu a palavra foi o Assis”.

O jornalista Erich Beting, diretor-executivo da Máquina do Esporte e professor dos cursos de pós-graduação em Gestão e Marketing Esportivo da Universidade Gama Filho, da Faculdade Trevisan e da Universidade Anhembi-Morumbi, porém, não entende que Ronaldinho tenha saído com sua imagem ilesa nessa história.

Ele acredita, sim, que a performance com a camisa do Flamengo poderá apagar possíveis danos. Situação parecida com a do ‘xará’ Ronaldo, que em 2009 deixou o Milan para atuar pelo Corinthians, após se recuperar de mais uma de suas lesões ligamentares.

“A imagem de Ronaldinho fica arranhada. Não fica 100%, mas depende muito se ele jogar bem para fazer com que isso acabe de vez. O caso do Ronaldo mostra bem isso. Ele precisou entrar em campo e mostrar resultados efetivos para que as empresas entrassem de vez no projeto. O Ronaldinho deve seguir nesta linha. Quanto maior o sucesso dele em campo, mais ele vai atrair os patrocinadores”, comparou Erich.


Ronaldinho e o marketing rubro-negro

A relação de Ronaldo, o Fenômeno, com o Corinthians se tornou um ótimo exemplo de projeto de sucesso na exploração da imagem do ídolo, como mote para a atração de receitas. A repatriação do jogador abriu as portas para o retorno de diversos companheiros já consagrados ao Brasil. Robinho, Fred, Adriano, Roberto Carlos, entre outros, incluem a lista de futebolistas que trocaram o conforto e a estrutura europeia pelo bom momento do mercado esportivo brasileiro.

A captação de recursos a partir do marketing foi o grande agente viabilizador da contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo. Segundo especialistas, o projeto deve seguir os passos do que já foi delineado na parceria Ronaldo/Corinthians.

“Se o Flamengo conseguir metade do que o Ronaldo fez já é um sucesso. Eu acho que o clube deveria seguir a cartilha do que foi feito no Corinthians. Não vejo porque fazer diferente. O Corinthians fez crescer seu faturamento, fica muito claro que foi um sucesso. Tem que explorar bem esta relação de paixão que o torcedor tem pelo ídolo e o interesse do patrocinador por esse tipo de projeto. Não adianta só o clube pagar a conta. Ele tem que faturar com o negócio”, afirmou Amir Somoggi.

Existe ainda a chance de aprimorar o que já foi realizado pelos dirigentes corintianos, promovendo novas iniciativas na área de marketing. É o que pensa Plastina, que realizou mestrado em marketing pela ESMA (Escuela Superior de Marketing y Administraccion).

“O Flamengo tem uma experiência anterior. Ele sabe tudo que deu certo e tudo que não deu certo com o Ronaldo. Acredito que nessa linha o Flamengo pode aproveitar e tentar incrementar com uma série de ações comerciais que não foram feitas com o Ronaldo e aprimorar as que não deram certo”, concluiu.

 

Após denúncia de jornal, distribuição de lucros do Mundial é alterada

Após denúncia realizada pelo diário Lance! em novembro do ano passado, o contrato social do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014 sofreu alteração quanto a distribuição dos lucros do torneio. Na época, a matéria do tablóide esportivo revelou que o antigo contrato da entidade dava margem para que Ricardo Teixeira, presidente do Comitê e da CBF, absorvesse 100% dos ganhos do Mundial.

Apesar de possuir participação societária de apenas 0,01%, Teixeira poderia utilizar a competição em benefício próprio, já que o documento original determinava que a divisão dos lucros da Copa do Mundo não precisava ser proporcional a essa participação.

Entretanto, segundo informação da Folha de S. Paulo, duas semanas após a denúncia o dirigente promoveu a alteração do contrato, limitando sua participação nos lucros de acordo com a divisão de cotas. Outro ponto apontado pelo jornal foi o fim da cláusula que possibilitava a distribuição de cotas do COL para funcionários como prêmio pela administração do Comitê.

 

ESPECIAL FOOTECON 2010

Nesta semana estive presente no Copacabana Palace para cobrir um dos maiores eventos do futebol brasileiro, que vem se consolidando como perfeito ambiente para discussão de ideias sobre a modalidade. A sétima edição do Footecon teve duração de dois dias e recebeu diversas personalidades do meio, incluindo atletas, dirigentes e treinadores.

Em parceria com Bruno Camarão, amigo jornalista e parceiro de todos os dias na Universidade do Futebol, tive a oportunidade de produzir  algumas matérias sobre o evento e aproveito o espaço aqui no Firula para publicá-las.

Não poderia deixar de agradecer a Luiz Novaes e Alex Massi, pela ótima companhia que foram durante estes dias no Rio de Janeiro, a  Gheorge Randsford, que além de parceiro de trabalho é um grande amigo e que tornou esta viagem possível, e a toda a equipe da Universidade do Futebol.

Seguem os links:

São Paulo sai na frente com Lei de Incentivo ao Esporte

‘Pendurando as chuteiras’: o processo de transição de carreira do atleta profissional

‘Jogo de R$ 2,5 mi’ estabeleceu parceria entre Hipermarcas e Corinthians

Barcelonista é parâmetro para Tite, que valoriza ‘talento defensivo’ e elenca requisitos

Analista do Manchester United vê fragilidade na formação de atletas no Brasil

Coordenação da seleção brasileira define ‘ciclos’ a treinadores das categorias de base

Mano reitera comprometimento de grupo e vislumbra interação com técnicos

Ney Franco mira diagnóstico da naturalidade dos atletas selecionados para a seleção sub-20

Vilão, calendário nacional restrito se reflete em menos treinamentos, mais lesões e ‘pobreza’ de espetáculo

São Paulo sai na frente com Lei de Incentivo ao Esporte

Clube da capital paulista é o recordista em captação verbas junto à lei de isenção fiscal do Ministério do Esporte

Artur Capuani e Bruno Camarão

Durante palestra no Footecon 2010, o presidente da comissão técnica da Lei do Esporte, Ricardo Cappelli, e o fundador da J. Leiva Cultura e Esportes (consultoria especializada no desenvolvimento de políticas culturais e esportivas), João Leiva, revelaram dados e peculiaridades sobre a evolução da Lei de Incentivo ao Esporte (LIE), nos últimos anos.

O plano do governo, que contribui para o estabelecimento de novos projetos com viés social e esportivo, apresentou um grande crescimento desde a sua aprovação, em 2007. Segundo Ricardo Cappelli, no futebol, a Lei permite a captação de recursos para as categorias de base dos clubes, desde que para atletas de até 16 anos, idade em que o jogador normalmente passa a assinar contratos com as agremiações. Conforme indicou o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes, o departamento de formação do São Paulo já usufrui deste subsídio governamental.

“Hoje nós temos alguns CT’s de clubes de futebol sendo aprovados com a Lei de Incentivo. Por exemplo, o projeto de Cotia do São Paulo. A Lei começou a rodar em setembro de 2007. Pouquíssimos projetos foram aprovados naquela época, mas o São Paulo se preparou e conseguiu. Será dificílimo que algo parecido ainda seja feito. A captação não é um processo complexo, mas não é tão simples assim”, disse Cappelli.

Atualmente, o América Mineiro é o segundo clube que mais recebe com a LIE, no país. Outras agremiações, como o rival são-paulino Palmeiras, também tentam aprovar projetos para suas categorias de base. Contudo, o montante absorvido pelo clube do Morumbi ainda representa grande parte dos valores arrecadados pelas instituições futebolísticas.

“O São Paulo é o time que mais capta. São R$ 21.738.408,10 o que representa 43,84% da verba direcionada a clubes de futebol. O potencial para o mercado esportivo é muito grande. Hoje saiu um relatório que o Tropa de Elite 2 (longa-metragem do cineasta José Padilha) bateu recorde de bilheteria do cinema nacional, atingindo 10,7 milhões de espectadores. Mas quantos torcedores tem o Flamengo?”, revelou João Leiva, que trabalhou como assessor de comunicação da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Apesar do desenvolvimento da LIE, que segue em processo de adaptação, a média de projetos não aprovados pelo governo chega a quase 70%. Segundo Cappelli, a iniciativa do governo é direcionada à pessoa jurídica, de direito público ou privado, sem fins econômicos e de natureza desportiva.


Fonte: www.incentiveprojetos.com.br

Para que a aprovação se concretize, a instituição deve cumprir com alguns requisitos previstos pelo Ministério: capacidade técnica operacional do proponente, viabilidade orçamentária e correto enquadramento na manifestação esportiva (metas claras e factíveis, metodologia, grade de horários, locais de execução, profissionais etc.).

“Ainda tem bastante recurso disponível que não está sendo captado junto às empresas. De 2008 para 2009, o valor captado cresceu em 29,2%. Estes recursos são públicos, mas são acompanhados por instituições governamentais. A matriz de desenvolvimento do esporte brasileiro está se adequando à Lei de Incentivo. Nosso objetivo é aprovar o maior número possível de projetos”, concluiu Cappelli.

Fonte: Universidade do Futebol

‘Pendurando as chuteiras’: o processo de transição de carreira do atleta profissional

Cafu, capitão do penta, fala sobre sua aposentadoria e nova fase da carreira fora dos gramados

Artur Capuani e Bruno Camarão

 

No encerramento das atividades do sétimo Footecon, o ex-lateral direito Cafu discursou sobre um dos momentos mais importantes na vida de um atleta profissional: sua aposentaria de dentro dos gramados. O capitão da seleção brasileira na conquista do pentacampeonato revelou detalhes sobre sua experiência pessoal no início de uma nova carreira e apontou as dificuldades que enfrentou neste processo.

Em 2008, a goleada do Milan sobre a Udinese por 4 a 1, se tornou o pontapé inicial para uma nova fase na vida do ídolo canarinho. Após marcar um gol e ser ovacionado em sua saída, Cafu assumiu certa insegurança: “eu me perguntava: o que eu vou fazer com a minha vida?”

Ao término de uma rotina de treinos, concentração e jogos, o craque, que teve passagens por Palmeiras, São Paulo e Roma, passou a usufruir, nos dois anos seguintes, de sua nova liberdade. Sem um “regime militar” prosperando em sua vida, Cafu passou a dedicar parte de seu tempo à fundação que mantém em sua comunidade de origem, o Jardim Irene.

“A maioria dos atletas, quando terminam, continuam amando o que faziam e tentam suprir essa falta. O Cafu, quando aposentou, tirou um sabático de dois anos para fazer coisas que ele não podia fazer antes”, disse Eduardo Morato, sócio e amigo do ex-jogador.

Em meio a diversas oportunidades para o início de uma nova carreira, o recordista em jogos pela seleção brasileira optou por seguir no meio futebolístico. Em parceria com Eduardo Morato, iniciou o projeto da Off Field, uma agência especializada na assessoria de empresas que pretendem entrar no mundo do futebol.

“Me propunham milhares de coisas, desde montar uma empresa até um cemitério, mas meu passado era relacionado ao futebol. Eu queria fazer como o Platini, o Backenbauer e muitos outros. Queria trabalhar no futebol de uma maneira diferente para dar ao futebol tudo aquilo que ele me deu”, explicou Cafu, que também é presidente de uma curadoria de exposições.

Ao término de sua palestra, o ex-atleta ainda louvou o novo período de sua vida e assumiu cuidar cautelosamente de suas finanças, uma vez que não possui mais a boa remuneração dos tempos de jogador.

“Quando eu era jogador sabia que se gastasse a mais em um mês, no outro eu receberia meu ‘salarinho’. Hoje eu não tenho essa segurança. A gente sabe que dinheiro não aceita desaforo. Fui o capitão da seleção brasileira, fui responsável por muita gente, mas hoje eu sou o capitão da minha alma”, concluiu Cafu.

Fonte: Universidade do Futebol

‘Jogo de R$ 2,5 mi’ estabeleceu parceria entre Hipermarcas e Corinthians

Empresa e clube fecharam o maior patrocínio da história do futebol brasileiro; pontapé inicial foi exposição gratuita de marca na final do Paulista-09

Artur Capuani e Bruno Camarão

A imagem do segundo gol de Ronaldo na primeira partida da final do Campeonato Paulista de 2009, contra o Santos, tornou-se símbolo da boa temporada vivida pelo craque em sua chegada ao Corinthians. Porém, poucos sabiam que o jogo decidia também, em seus bastidores, o maior acordo de patrocínio do futebol brasileiro.

Naquele dia, o grupo Hypermarcas recebeu, como uma amostra do poder de exposição do clube da capital paulista, a oportunidade de estampar seu logotipo na camisa alvinegra sem qualquer necessidade de investimento. Em termos de exposição na mídia, o jogo chegou a ser avaliado em R$ 2,5 milhões para a empresa, segundo ela.

Diretor de marketing de Medicamentos da Hypermarcas, Walker Magalhães Lahmann revelou, durante palestra no Footecon 2010, a importância da “cortesia” dos dirigentes do Parque São Jorge – a marca Bozzano compôs as mangas do uniforme dos jogadores corintianos.

“Por que fizemos o patrocínio de maior valor na história do futebol brasileiro? Primeiro, o Andrés Sanchez (presidente do Corinthians) nos deu um jogo de graça, que foi a final do Campeonato Paulista de 2009. Nós também visávamos à imagem do Ronaldo. Esse jogo foi crucial, com 71% dos domicílios sendo atingidos e o preço do espaço da mídia televisiva valendo o equivalente a R$ 51 milhões. Somente para nós, este jogo rendeu R$ 2,5 milhões”, garantiu Lahmann.

Em dezembro, o grupo Hypermarcas ofereceu R$ 38 milhões para patrocinar toda a camisa do Corinthians. A despeito de o valor do contrato não ter sido oficializado, a diretoria alvinegra divulgou posteriormente uma negociação em torno de R$ 41milhões.

Por esse valor, o maior de um patrocínio a um clube de futebol no Brasil, a Hypermarcas teve direito a todas as propriedades da camisa. A Bozzano seguiu com o mesmo espaço em 2010. O desodorante Avanço, outra marca do grupo, ficou nas axilas. Além disso, o grupo colocou o nome do detergente em pó Assim nos ombros, e o laboratório Neo Química, especializado em medicamentos genéricos, no peito e nas costas da vestimenta.

Walker Lahmann também enalteceu, com bases em estatísticas de sua empresa, o baixo índice de rejeição do público com o patrocínio às agremiações futebolísticas. Segundo o profissional, a rivalidade dentro dos gramados não influencia na decisão de compra do consumidor.

“O consumidor, de maneira geral, não deixa de comprar um produto de qualidade porque a marca patrocina o time rival. Em 2008, por exemplo, 92% da torcida do Corinthians lembravam da marca do patrocinador. Em 2009, essa porcentagem foi para cerca de 97%. Mas se nós pegássemos outros times, como São Paulo, Palmeiras e Santos, cerca de 40% lembravam da marca que patrocinava o Corinthians”, concluiu.

Caso Ronaldo

O interesse pelo aporte ao clube paulista trouxe em paralelo a intenção em patrocinar o camisa 9 corintiano, repatriado em 2009. Utilizado em banners, eventos e comerciais televisivos, Ronaldo tornou-se garoto propaganda da Hypermarcas e alavancou as vendas de seus produtos.

Walker Lahmann explicou que a intenção da empresa foi tirar proveito do histórico vitorioso do atacante e de seu carisma com o público para alimentar suas campanhas publicitárias.

“O Ronaldo, logicamente, remete à lembrança diversos títulos, como o de três vezes melhor jogador do mundo e toda sua trajetória. Mas isso seria suficiente para a nossa marca criar esse vínculo? Nós imaginamos que sim e estudamos dois aspectos que confirmavam. Sem dúvida ele é um ídolo mundial. Celebridades são fãs do Ronaldo, ele virou até personagem de ‘Os Simpsons’, mostrando seu grau de penetração na sociedade. Ele também tem garra e determinação, o que aumenta a admiração das pessoas pelo Ronaldo”, finalizou Lahmann.

Fonte: Universidade do Futebol

Barcelonista é parâmetro para Tite, que valoriza ‘talento defensivo’ e elenca requisitos

Para treinador corintiano, Sergio Busqutes, da equipe catalã e da seleção espanhola, é protótipo de primeiro volante moderno

Artur Capuani e Bruno Camarão

 

Um dos pilares do sistema defensivo espanhol na Copa do Mundo de 2010 foi Sergio Busquets. Na seleção que faturou a competição na África do Sul, o volante reproduziu seu nível de atuação de clube – no caso, o não menos poderoso Barcelona. Para conferir a liberdade necessária a Xavi Hernández e a Andrés Iniesta, é no cabeça-de-área que os treinadores Vicente Del Bosque e Pepe Guardiola centram a confiança. No Brasil, o jogador tem um treinador que o tem como modelo de “talento defensivo”: Tite.

O treinador do Corinthians, que tem passagens por grandes clubes do futebol nacional, além de experiência em Emirados Árabes Unidos e Japão, revelou durante palestra no Footecon 2010 seu encantamento com a capacidade de performance de Busquets. Mesmo não sendo o camisa 8 do Barça o responsável pelas ações ofensivas decisivas.

“Um grande marcador é talentoso. Essa é uma grande virtude. Peguemos o Busquets, da seleção espanhola. Ele é um pivô que não participa de ações ofensivas, mas realiza a sustentação para a articulação dos outros. Ele sempre corta a linha do passe”, elogiou Tite, citando a técnica de marcação, baixando o centro de gravidade, com o encurtamento de espaço ao adversário, como um dos pontos fortes do barcelonista.

O tema de debate proposto ao treinador gaúcho era qual o perfil técnico e físico do novo volante no futebol brasileiro. Entre os requisitos técnicos do atleta dessa posição, Tite elegeu o bom domínio e o passe, a técnica de marcação, o bom cabeceio e a boa finalização (reboteiro-infiltrador) como fatores primordiais.

Em termos táticos, as transições (desarme e a interceptação seguida do passe), o posicionamento (zona de pressão máxima), a contenção, a cobertura, a capacidade cognitiva (leitura de jogo), a construção, a infiltração e a aparição como elemento surpresa foram detectadas e assinaladas em um plano de relevância para esses meio-campistas.

Por fim, ênfase aos requisitos mentais: concentração, controle emocional, comando (liderança) e capacidade de comunicação. Uma integração entre todas essas exigências comporia, então, um atleta moderno.

“Modernidade é o Brasil conseguir manter sua filosofia, suas características. Temos de determinar funções a atletas talentosos. O Brasil de 1982 é a Espanha de hoje”, comparou Tite, que também elegeu uma formação nacional em Copas de modo especial: a de 1994, comandada por Carlos Alberto Parreira.

A retomada de uma filosofia de jogo própria passa, na avaliação de Tite, por uma metodologia de trabalho que induza o atleta a ser desenvolvido, com a realização de pequenos jogos e jogos ampliados. “É na base que se desenvolve esse processo, por isso a necessidade de valorizar esses profissionais [que atuam no departamento de formação]”, finalizou.

Fonte: Universidade do Futebol

Analista do Manchester United vê fragilidade na formação de atletas no Brasil

Números apresentados por Marcelo Teixeira indicam poucos atletas de alta performance surgidos por geração; Inter se destaca

Artur Capuani e Bruno Camarão

 

Em palestra durante a sétima edição do Footecon, na última quarta-feira, Marcelo Teixeira, que atualmente desenvolve o scout técnico do Manchester United na América do Sul, revelou a limitação das categorias de base de clubes brasileiros a partir de um estudo detalhado com diversas equipes nacionais.

A análise levou em consideração jogadores formados desde a geração de 1983, transparecendo o baixo número de atletas que atingem com sucesso as principais equipes do mundo. Apesar do surgimento de grandes nomes em âmbito internacional, a porcentagem de jogadores revelados ainda é insignificante se comparada com a grande quantidade que se apresenta.

“No Brasil, a gente forma em torno de 20 a 25 atletas de alta performance por geração. Este número é muito pequeno, devido à quantidade de jogadores e clubes que temos no Brasil. Eu peguei 300 equipes que estão disputando o campeonato infantil (sub-15), em 2010. Vamos supor que cada equipe tenha 15 atletas. Então temos 4.500 atletas, com famílias acreditando que o garoto vai dar certo, com a mãe se esgoelando em campo e acreditando que o jogador vai tirar a família da pobreza. Mas apenas 1% deste número vai se tornar atleta de alta performance”, explicou o especialista.

Diretor responsável pelas divisões de base do Fluminense no período de 2002 a 2007, Marcelo Teixeira também discursou sobre o processo sócio-cultural que envolve o departamento de base de uma agremiação. Para ele, inexiste a preocupação dos clubes com o caráter de formação do atleta.

“Quais são os objetivos das categorias de base no Brasil? A questão social está sempre envolvida, quer queira, quer não, quando você está dando a oportunidade para um menino praticar esporte, com apoio de médicos e outros profissionais. Mas a gente sabe que o objetivo dos clubes é formar atletas de nível elevado. Ninguém está formando atleta para jogar na série C do campeonato. Na realidade, todo mundo quer é formar Neymar, Paulo Henrique (Ganso)”, disse Marcelo.

Destaque no Brasil, o Internacional aparece como o clube que mais revela jogadores de qualidade no cenário futebolístico. A pesquisa, que leva em consideração aspectos quantitativos e qualitativos, apontou a agremiação gaúcha como líder no processo de formação de atletas, seguida do Vitória.

Outro ponto discutido foi a irregularidade entre as gerações no número de jovens profissionalizados . “Fica claro, quando a gente compara atletas dos demais clubes, que o Internacional se destaca neste processo de formação de atletas. Em minha pesquisa aparecem 63 clubes aproximadamente”, apontou Marcelo.

“O curioso quando a gente vê a quantidade de jogadores é que tiveram gerações muito boas (bons jogadores revelados), e outras muito ruins. Mas isso é difícil de entender: é uma resposta que a gente tem que buscar”, concluiu.

Abordado pela reportagem da Universidade do Futebol, Marcelo Teixeira alegou que devido a questões contratuais com o clube inglês não poderia conceder entrevista ou divulgar na íntegra os dados indicados em seu estudo.

Fonte: Universidade do Futebol

Coordenação da seleção brasileira define ‘ciclos’ a treinadores das categorias de base

Intenção é estender por mais tempo o contato e o trabalho entre comissão técnica e grupo de atletas que está em formação

Artur Capuani e Bruno Camarão 

Cumprimento de um projeto de quatro anos com um mesmo grupo de atletas: esse é o “ciclo” estabelecido pela coordenação técnica da CBF, na figura do também treinador da equipe sub-20 nacional, Ney Franco. O alvo é que se estenda por um período mais consistente o trabalho entre o staff e o grupo de jovens que atua no departamento de futebol profissional dos seus respectivos clubes.

Escolhido por Mano Menezes para conduzir o processo de alinhamento de filosofia entre as equipes de base, Ney definiu na direção do time sub-15, Marcos Santos. O treinador seguirá com os selecionáveis até que eles sejam eventualmente promovidos para o sub-17. E o mesmo processo ocorrerá com Emerson Ávila, atualmente à frente dos talentos nascidos entre 93 e 94 – posteriormente, ele passará a treinar a categoria anterior.

Marcos Santos estava ligado ao Coritiba, mesmo clube pelo qual seu coordenador passou em 2010. Lá, Ney Franco faturou o Campeonato Paranaense e a Série B do Campeonato Brasileiro – Santos era treinador da equipe sub-20 coxa-branca.

Já Emerson Ávila, com larga experiência no processo de formação de atletas, trabalhava nas categorias de base do Cruzeiro e também deixou o cargo para assumir a seleção sub-17. Recentemente, chegou à final de um torneio nos Estados Unidos com a equipe mineira – ficou em segundo lugar.

Diante desse novo plano executivo, os jogadores devem criar uma identidade atuando com o mesmo comandante por um período de quatro anos até chegar à equipe principal.

“O Marcos Santos é o treinador do sub-15. Quando esse grupo chegar ao sub-17, ele estará no comando. Enquanto isso, o Emerson Ávila iniciará um trabalho na sub-15 para termos um novo ciclo”, confirmou Ney Franco.

Em sua apresentação no Footecon 2010, ele garantiu ainda que a CBF deve iniciar um processo de catalogação de todos os jogadores que têm condições de ingressar às seleções de base. A entidade mira um controle maior sobre a saída de garotos abaixo dos 18 anos para o futebol do exterior, situação defasada atualmente.

“Qualquer jogador que saia do país precisa passar pela CBF. Temos que criar um filtro para que todo atleta que deixe o país abaixo dos 20 anos seja reconhecido pelo meu departamento. Temos que acompanhar esses jogadores”, finalizou Ney.

Dos atletas selecionados por Ney Franco para a disputa do Mundial sub-20, em janeiro, no Peru, dois deles emigraram antes de completar maioridade: Zé Eduardo, do Parma, e João Pedro, do Palermo. O atacante Philippe Coutinho, negociado para a Inter de Milão quando era adolescente, entretanto, só deixou o Rio após ultrapassar a faixa dos 18 anos.

Fonte: Universidade do Futebol

Mano reitera comprometimento de grupo e vislumbra interação com técnicos

Treinador da seleção principal do país acredita que profissionais da área precisam se falar mais e ouvir uns aos outros: ‘nunca falei de futebol com o Zagallo: é um absurdo’

Artur Capuani e Bruno Camarão

 

Ao anunciar sua primeira lista de convocados da seleção brasileira, para o amistoso diante dos Estados Unidos, Mano Menezes sinalizou para a necessidade de se estabelecer um compromisso real entre atleta requerido, grupo e comissão técnica. Ao palestrar sobre o projeto desenvolvido por sua equipe de trabalho durante a sétima edição do Footecon, realizada no Rio de Janeiro, o treinador gaúcho ratificou sua posição.

“Acredito em comprometimento e não creio que alguém vá mandar em um jogador profissional, realizado, simplesmente. Você precisa conversar, convencê-lo de que aquilo que você está passando tem fundamento. Não é possível outra atitude. O jogador quer ganhar e sabe o que fazer para isso, mas às vezes se acomoda, tropeça em pedras menores. Por isso não podemos deixá-lo na zona de conforto, imaginando que já está realizado o suficiente”, indicou Mano.

Na avaliação dele, os clubes brasileiros têm demonstrado mais condições financeiras do que em temporadas passadas. O ex-treinador do Corinthians pegou como exemplo a permanência “heróica” de Neymar no Santos, jogador que Mano apontou como “craque”.

“Pela Copa de 2014 e a crise econômica em alguns países da Europa, estamos invertendo a equação e mantendo mais os jogadores aqui. Isso tudo tem influência”, acrescentou.

Se alguns passos relevantes na esfera da gestão e da administração dos clubes têm sido dados, o alvo agora é avançar na questão puramente técnica e relacional. Para Mano Menezes, os treinadores do futebol nacional como um todo, independentemente da divisão em que suas equipes estejam concorrendo, devem se reunir com mais constância e estabelecer um diálogo.

“Os treinadores das séries A e B precisam discutir mais futebol. Temos aqui o Zagallo, um dos técnicos mais vitoriosos do futebol, da seleção, e nunca falei sobre futebol com ele. Isso é um absurdo”, citou o comandante. “E essa proposta tem de partir da confederação (CBF), o que certamente vai melhorar o nosso trabalho em muitos aspectos”.

Após reiterar a necessidade de uma “unificação da linguagem do futebol”, Mano falou sobre eventuais interferências do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, nas convocações dos atletas para amistosos e torneios, bem como a participação de patrocinadores e parceiros nesse processo.

“No Brasil, fala-se muita bobagem. A única observação do presidente da CBF foi quando ele viu a primeira lista de convocação, que estava debaixo do meu braço. Eu mostrei a ele, que disse apenas: ‘gosto muito desse jogador’, apontando para um nome”, relembrou o treinador. “A interferência é só essa. Não cabe ao presidente interferir, assim como não cabe ao patrocinador. Temos de convocar os melhores e fazer um bom time. Não temos mais que discutir certas coisas no futebol”, finalizou.

Fonte: Universidade do Futebol